sábado, 6 de fevereiro de 2010

Saudade e calor...

Fotografia: Alfred Eisenstaedt. 
(Vale a pena pesquisar as demais fotografias do autor. São Lindíssimas).

quinta-feira, 4 de fevereiro de 2010

Uma história de singularidades

Oito horas da manhã: céu de brigadeiro e mar de ouro.
Na praia, sob os coqueiros, um grupo se movimenta com extrema delicadeza. Os corpos se dobram aos movimentos impostos pela professora. Na coleira, cães observam atentos seus donos. Seguem com os olhos aflitos o balé dos adoradores do sol. Nas mesas de cimento, o jogo corre solto. [...] Alguns casais preferem caminhar - não importa como - juntos. O fazem mão na mão. Nessa fotografia, o tempo é outro. Lento, ele perturba os ritmos da cidade mergulhada em velocidade. Fora dessa tela macia, a rapidez triunfou como uma forma de conquista do espírito e da civilização. Onde os pássaros outrora voavam, hoje domina o jato. Sobre monstruosos abismos marinhos, pairam engenhocas flutuantes. [...]
Uma fratura separa o mundo lento daquele acelerado.
Uma tribo de adoradores do sol habita o primeiro deles.
[...] Não rebolam nas revistas nem nas telas. Não precisam de bisturis nem de silicone. Têm outra beleza. Beleza imune a velocidade excessiva, lúdica e trágica. Cada ruga conta uma bela história de vida. São nossos velhos. Somos nós amanhã, herdeiros infelizmente de uma sociedade cujos valores mais importantes são a juventude e o progresso.[...] Em nossa louca corrida, o valor simbólico da idade só pode ajudar a envelhecer. [...] Caminhemos sem medo para a lentidão. Lentidão que como diz o filósofo, esposa a eternidade.

Texto: PRIORE, Mary Del. Uma história de singularidades.
In: ____. HISTÓRIAS DO COTIDIANO. São Paulo: Contexto, 2001. p. 126-127.

Imagem Disponível em:fadadacaixinhademusica.blogspot.com de autoria de Lili Gribouillon.

domingo, 24 de janeiro de 2010

Coisas do coração...


"Somente quando você consegue viver como a águia sem absolutamente qualquer público,você consegue se voltar para outra pessoa com amor;
somente então é capaz de se preocupar com o
engrandecimento de outro ser humano."

Do livro "Quando Nietzsache chorou"

Achei a frase escrita em uma antiga agenda que joguei fora, esta semana. Fruto de uma leitura de 3 anos atrás. Hoje, ela veio a calhar pra mim.
A imagem é do blog
pedevento2006.blogspot.com

Abraços aos passantes!

quarta-feira, 23 de dezembro de 2009

Férias me lembra cheiros, gostos e cores...
Lembra os tempos da casa da vó, com desejos atendidos e batatas-fritas no almoço;
Lembra praia, cheiro de mar, o toque dos pés na areia úmida, castelinhos, brinquedos engolidos pela força do mar, riscos apaixonados na areia;
Lembra sorrisos, rever os amigos;
Lembra saudade;
Lembra o tão doce sabor da nostalgia.

Fotografia: Reprodução de - Irmãos Lumière, da exposição "O tempo da cor".

quarta-feira, 28 de outubro de 2009

Cansaço típico...

Ando ultimamente com um cansaço que acredito não ser a única a sentí-lo.
Fim de ano cansa! Além das atividades exaustivas, como consequência da mania de deixar tudo pra depois, pra última hora, ainda tem essa cara de resto de tudo.

E ainda tem gente que quer deixar uma coisa ou outra pra ano que vem, pra traçar como metas de um novo ano. Um novo ano que parece que tarda a chegar, e eu tenho a impressão que estou empurrando tudo com a barriga. Tem horas que dá vontade de sumir, ou simplesmente sair dessa coisa que gruda na gente e não quer mais soltar.

-Sai daqui, sua rotina nojenta!

R O T I N A !

Deve ser por isso que gosto tanto de mudança, de viver intensamente. Apesar de olhar pra trás e ver como o ano passou depressa, e como gostaria de aproveitar melhor alguns momentos, se chegamos até aqui, quero ir até o final. Chega Natal!

As vezes tenho saudade das palavras e do abraço de alguém que está longe e penso que se pudesse voltar e ouvir mais esta pessoa, curti-lá, senti-lá.

Observando isso tudo, se pensa que eu almejo um futuro e sinto falta de um nostálgico passado, mas, embora os desalentos cansaços de uma rotina enjoativa, a vida tem lá suas doses doces que deixam gostinho de quero mais.


Ontem eu vi um filme que gostei muito. Fica a indicação: REDS (Baseado no livro 10 dias que abalaram o mundo). Com tantos detalhes da visão de alguém que participou e viu de perto a Revolução Russa, fiquei curiosa para ler o livro.
p.s.: A imagem é do filme.

terça-feira, 8 de setembro de 2009

Uma bela relação entre a poesia e a História...

"De que servem exércitos de canções
e o encanto das elegias sentimentais?
Para mim, na poesia, tudo tem de ser desmesurado,
e não do jeito como todo mundo faz.

Se vocês soubessem de que lixeira
saem, desavergonhados, os versos,
como dente-de-leão que brota ao pé da cerca,
como a bardana ou o cogumelo.

Um grito que vem do coração, o cheiro fresco de alcatrão,
o bolor oculto na parede...
E, de repente, a poesia soa, calorosa, terna,
Para a minha e tua alegria."
Anna Akhmátova - "De Os mistérios do ofício" - 21.01.1940


Nascida na Ucrânia em 1889, Anna Akhmátova foi uma poetisa que passou por grandes privações de nossa história, viu seu primeiro marido partir para a 1ª Guerra Mundial, teve seus poemas perseguidos e censurados pelo comunismo durante a Revolução Russa. Conheceu a sensibilidade de poetas e artistas renomados que influenciaram a sua poesia que perdura até hoje.
Um grito que vem do coração, o cheiro fresco de alcatrão,
o bolor oculto na parede...
E, de repente, a poesia soa, calorosa, terna,
Para a minha e tua alegria."

Anna Akhmátova - "De Os mistérios do Ofício"


segunda-feira, 7 de setembro de 2009

Sacudindo a poeira...


Faz tempo que não passo por aqui.

Pra ser sincera nem lembrava mais da existência desse lugarzinho aqui.

Me deu vontade de voltar a escrever, por minhas idéias pra fora, expô-las.

Se algum curioso se der ao trabalho de ler, faça-o com gosto!

:D Que eu terei um gosto maior ainda em pensar que alguém lê!


Tapas aos passantes!
p.s: A foto? Ficaria melhor se fosse um beijo! Eu e o meu gatão em um lugar lindo de enjoar!

sexta-feira, 12 de dezembro de 2008

DENTES DE AÇO

eu te arranco um pedaço com meus dentes de aço
e faço e refaço no peito e no braço
e te arranco um pedaço com meus dentes de aço

e você acha pouco e diz que eu sou muito louco
mas eu não dou carne a gato
e não vou pagar o pato dos teus sais dos teus ais

eu quero é mais
planetas estrelas cometas
virgínia Sofia Roraima

bem... não se fala mais nisso
até que você descubra
que a bomba H a bossa nova
está na ponta da língua.

Chacal(Ricardo de Carvalho)
Foto: Fotógrafo desconhecido

Em meio a ditadura, surgem oportunidades de manifestar o seu protesto contra tantas injustiças cometidas contra o ser humano, contra suas idéias, contra seus ideais e contra o meio em que viviam. A "Poesia Marginal" ganhou destaque, como um meio de gritar e sobreviver em meio a opressões, perseguições e repressões. Dentro deste movimento cultural literário, destacam-se Ana Cristina César, Paulo Leminski, Ricardo Carvalho Duarte (Chacal), Francisco Alvim e Cacaso.